sexta-feira, 20 de maio de 2016

É hora de falar de Turismo Sexual!

Ao longo dos anos muitos assuntos tidos como “Tabus” na sociedade ganharam espaço nas rodas de discussões, entretanto, existem muitos outros assuntos que ainda permanecem velados e, sequer possuem um prospecção de desvelação.
Ao falarmos do turismo sexual, por exemplo, observa-se que pouco se aborda no meio acadêmico do turismo sobre a prática e, ainda, muito pouco se conceitua o turista sexual e, muito menos se entende o turismo com motivação sexual como segmento de mercado passível de ser estruturado.
Inseridos nestes contextos pragmáticos da prática do turismo sexual, sendo esta expressão usada com grande frequência em outras áreas do conhecimento, como sociologia, antropologia, geografia e outros, além do próprio senso comum, realizamos durante os dias 11 a 18 de maio de 2015, uma pesquisa online, por meio da plataforma Google Docs.
A pesquisa tinha o intuito de aferir quais sãos os paradigmas conceituais existentes no imaginário dos estudantes de turismo, profissionais formados em turismo, individuo sem formação acadêmica de ensino superior, estudantes de ensino superior não relacionado ao turismo, e profissionais formados em outras áreas não relacionadas ao turismo.
Assim, obtivemos 375 respostas. Mas em especial, versando sobre os Estudantes de Turismo, entrevistou-se cerca de 132 estudantes. Destes estudantes, 84% afirmam existir o turismo sexual, contra outros 11% que afirmam não existir e, outros 5% que afirmam que talvez exista.
Destarte, torna-se possível analisar que a maioria reconhece a existência desta prática de turismo, mesmo que esta não seja considerada pelo Ministério do Turismo como um de seus segmentos. Entretanto, ao questionarmos os entrevistados sobre o que os mesmos compreendem sobre o turismo sexual, pudemos observar que 30% dos entrevistados em seus discursos relacionam o turismo sexual com práticas ilícitas, bem como o aliciamento de menores, tráfico de pessoas, exploração sexual e etc., já outros 70% dos entrevistados utilizam estas expressões.
Dentre as respostas dadas que relacionam o turismo sexual as práticas ilícitas, ressalta-se as respostas: Turismo sexual é o turismo que explora mulheres de baixa renda a fazer sexo em destino turístico”; “Mulheres e crianças que são prostituídas para estrangeiros”; "abuso de menor”; “Prostituição de menores, cujo público são turistas”.
Já dentre as respostas das pessoas que não relacionam, salientas os discursos que o turismo sexual pode ser entendido: “a troca de dinheiro por sexo”; “turismo em busca de sexo comercial”; “Teoricamente ele não existe por os profissionais do turismo não apoiarem de forma alguma a prostituição”.
Por meio disto, torna-se possível observar que mesmo as pessoas que não relacionam com atividades ilícitas, verifica-se o turismo sexual ligado ao sexo pago, ou seja, comercial.
A partir das entrevistas aplicadas na plataforma Google com o intuito de obter o conhecimento sobre os paradigmas conceituais existentes no imaginário dos estudantes de turismo sobre a expressão turismo sexual, pudemos verificar que por mais que a maioria tenha assinalado e justificado a existência do turismo sexual, há um considerável percentual utilizaram em suas respostas vocábulos que denotam um sentido pejorativo a expressão.
Embora a expressão Turismo Sexual seja empregada em diversas áreas do conhecimento, em especial, no turismo, verifica-se que nos principais órgãos que aplicam diretrizes para a atividade turística não reconhecem o turismo sexual como uma segmentação de mercado e, assim a temática não dispõe de espaço de discussão na grade curricular de ensino do futuro Bacharel em Turismo.
Contudo, nossas entrevistas demonstraram que 84% dos entrevistados afirmaram existir turismo sexual. Destarte, observa-se que existe um nicho de mercado quando se menciona a existência do turismo sexual, porém, pelo termo estar associado a práticas ilícitas como pedofilia, aliciamento de menores, exploração sexual, prostituição e tráfico de pessoas como demonstrou nossa pesquisa, o termo possuí uma conotação pejorativa em considerável parte do imaginário dos estudantes de turismo. Assim, a atividade não recebe uma análise mais plausível pelos acadêmicos do turismo e pela própria sociedade em geral, uma vez que ela está arraigada de valores morais e éticos.
Temas polêmicos no contexto atual surgem como assuntos velados que não devem ser debatidos. Entretanto, entendemos como o papel da academia, seja ela vinculada a sociologia, historia, turismo entre outras, debater quaisquer temas que sejam desconhecidos ou censurados pela sociedade em geral, para que assim torne-se possível desvelar estigmas e promover a disseminação do ensino como uma fonte de conhecimento extramuros das universidades e faculdades.
A falta de discussão sobre o tema, pode ser, ou não, uma das razões pelo quais não notou-se um consenso entre os conceitos, ou seja, não visualizou-se pensamentos e ideias similares sobre o assunto, pois mesmo as pessoas que não relacionam o turismo sexual com atividades ilícitas, disserta que o turismo sexual está atrelado a prostituição e, somente poucos entrevistados explanam uma diversidade significativamente maior da prática deste tipo de atividade turística.


Colaboração:
Profº Juliana Maria Vaz Pimentel
Doutoranda em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados (2014). Mestre em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados (2013).Graduada em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2002).Especialista em Metodologia do Ensino Superior (2006) e Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica (2010).


Artigo Publicado: Revista Bragantina OnLine