sábado, 30 de janeiro de 2016

Em Busca da Autenticidade das Coisas

     Muitas vezes me pergunto o que é algo tradicional dos municípios que conheço. Questiono-me o quão autentico é a manifestação cultural que vemos na praça, assim como o artesanato e a gastronomia exposta aos turistas e moradores que ali frequentam.
De certo modo temos que ponderar que a cultura tradicional, os traços culturais tradicionais, são aqueles que representam o lugar de onde vieram, ou, um grupo que ali viveu no passado e inseriu traços na cultura que se conhece na atualidade.
Entretanto, ao viajar pelas cidades do nosso Brasil é possível observar que a o caráter autentico das manifestações e bens materiais esta se perdendo, ou, a esta altura já se aculturou aos novos paradigmas sociais.
Isto pode ser observado no artesanato de cada cidade, grande parte das vezes não observamos peças daquela cidade, que representam o povo e a história do município. Inúmeras são as vezes que o artesanato retratado ou são peças totalmente industrializadas, feitas em massa, ou, são objetos vindos de fora do Brasil, bem como China, que não representam nem a imagem do local e, muito menos do Brasil.
Isto ocorre com alguns dos pratos típicos do nosso país, quando esses são criados apenas para representar o município, mas na realidade nunca existiu e nunca foi tradicional, foi apenas criado e inventado com fins comerciais.
As manifestações culturais também sofrem deste mal, pois quantos são os municípios que nunca tiveram Folia de Reis e do nada surge à tradição desta manifestação.

Tudo que é inventado e tido como cultural não é tradição, é capitalismo exploratório para engrandecer os olhos dos turistas. Assim, cabe ao turista buscar a autenticidade no que visita, para que assim, não visite o Norte e tenha a impressão de estar no Sul, ou, o Sul pensando que é Sudeste. 

Matéria publicana no Jornal O Registro: http://issuu.com/jornaloregistro/docs/352