segunda-feira, 16 de março de 2015

Massificação Turística e Planejamento

Ao longo dos anos o papel dos turismólogos vem sendo mais evidente na sociedade contemporânea. Quando se analisa o turismo exacerbado, sem planejamento e massivo na faixa litorânea, afere-se a necessidade de um profissional que seja capaz de reorganizar e planejar essa realidade.
O litoral no período de final de ano se torna um caos, ressalvam-se algumas praias da alta sociedade que possuem um profissional que organize a apropriação do espaço. Quando se menciona a apropriação do espaço podemos utilizar como exemplo a Praia Grande de Ubatuba, situada no estado de São Paulo.
A praia é praticamente um típico local onde a organização não é predominante, uma vez que é possível visualizar uma massificação do número de turista, que acarretam no trânsito, filas nos mercados, bancos, lojas, açougues, barracas, bares e outros. Além disso, embalado pelo grande número de turistas, proporcionalmente aumenta o número dos famosos “camelos”, que procuram vender seus produtos e sobreviver a partir disso, mas os mesmos são estimuladores da pirataria, não pagam impostos e o seu grande número dificulta a fiscalização.
Outro impacto do turismo massivo pode ser sentido na virada do ano. Todos sabem que o sudeste do país e outras regiões estão sendo fortemente afetados pela estiagem e, as cidades que recebem muitos turistas, sejam nas casas de veraneio, segunda residência, hotéis, resorts e outros meios de hospedagem não conseguem atender a demanda com água, esgoto e energia elétrica, ou seja, a infraestrutura básica turística.
Retornando ao planejamento da Praia Grande de Ubatuba, é possível elencar o perfil do turista. Em sua maioria os turistas que frequentam essas praias massificadas são àqueles pertencentes à Classe C, que frequentemente compram os alimentos, objetos e outros insumos em seus municípios e levam ao litoral.
Além disso, os mesmos levam esses insumos para a praia, os famosos “turistas isopor”. O problema é que o município receptor sofre um giro econômico menor, uma vez que o turista não gera tantas divisas no município se privando de gastar no comércio local.
Ressalta-se também que os preços dessas épocas de temporadas são abusivos, mas a explicação desse aumento significativo do preço na alta temporada reside no fato do aumento da demanda, gerando uma necessidade no reajuste da oferta, uma vez que há muitos turistas. Além disso, os preços sobem para suprir os períodos de baixa temporada, na qual os comerciantes também são obrigados a custear seus impostos e contas.
Ilustração: Foto colagem do Artista Plástico
Silvio Alvarez (E-mail: silvioalvarez@uol.com.br). 
O “turista isopor” também é aquele que vai à praia e deixa o seu rastro de sujeira. Geralmente, nas cidades onde há a massificação do turismo existem campanhas para que o turista leve consigo ou deposite em uma lixeira os resíduos produzidos. Contudo, dado a quantidade de turistas, as campanhas perdem força e o lixo é apenas mais um integrante da degradação ambiental.
Vale ressaltar que o turismo no litoral é realizado em uma área natural, na qual existe vida marinha e terrestre, além de toda configuração espacial natural, bem como o mar, pedras, mata nativa e outros elementos. E o turismo massivo danifica esse meio de diversas formas, seja pela urbanização forçada, despejo de dejetos, ocupação do solo e outros diversos fatores.
Esta problemática vivenciada no turismo de massa litorâneo é reaplicada a inúmeras cidades do mundo, que também sofrem com a falta de planejamento.  O planejamento é algo trivial, para que seja possível garantir a utilização do espaço por mais tempo, bem como o seu bom funcionamento, pautando nos princípios da sustentabilidade.

Quando o curso de Bacharel em Turismo foi criado por volta da década de 70, em meio a Ditadura Militar, o seu principal objetivo era capacitar profissionais para planejar a atividade turística. Contudo, a sociedade pouco aderiu a esse novo profissional e as consequências podem ser mensuradas no contexto atual.

Conheça o Turista Isopor:


Coluna Publicada em:
Revista Bragantina On Line- Edição de Março
de 2015.








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