quarta-feira, 18 de março de 2015

A Turistificação dos Destinos- O turismo como elemento mercadológico

Ao longo dos anos vimos às cidades com maior potencial turístico, se modificando para captar mais e mais turistas. Se transformando em virtude do dinheiro que esses turistas vão trazem, sem pensar, muitas vezes, no impacto que vem com esses turistas.
Impactos que poderão ser sentidos com a vinda dos turistas, ou até mesmo esses impactos podem ser sentidos antes da vinda dos turistas. Exemplos claros disso é o Brasil, que durante as reformas e construções para Copa do Mundo FIFA de 2014, despovoou inúmeras áreas do entorno dos estádios, demoliu museus para construir estacionamentos, aumentou a especulação imobiliária e além de tudo elevou os preços.
Outro exemplo bem claro e mais atual é a construção e reforma do Porto Maravilha no Rio de Janeiro, que por sua vez é a maior obra feita entre poder público e privado, e bem como as obras da Copa, essas obras também estão deixando famílias sem casa, impactando no transito, alterando o cotidiano dos moradores e, sobretudo alterando a cultura local.
Imagem Retirada da Internet
Tudo isso para que? Às vezes me pergunto por que o Brasil quer tanto maquiar seus defeitos, esconder seus contrastes, padronizar a sociedade e, sobretudo, fingir que somos um país perfeito. E o turismo empossado nas mãos de pessoas inexperientes vira mero recurso mercadológico, tendo apenas como função gerar lucro e encher os bolsos da pequena minoria elitista.
Torna-se controverso, ao analisar essas mudanças se prevê a retirada de bares, hospedagens e restaurantes, por grandes redes multinacionais, que como o nome já diz estão em boa parte dos países. Mas tudo isso para que? Estamos nos igualando às outras potencias?
Óbvio que não, o turismo é movido pela curiosidade, pelo novo, pelo pitoresco e singular. Quando deixamos de ter algo de diferente para mostrar nos tornamos mais um em tantos outros, nos tornamos pertencentes a uma massa capitalista padronizada.
A cultura do povo foi substituída pelo consumismo, o bar que servia a culinária típica brasileira e tinha roda de samba foi trocado pelo Mc Donald, o samba e o funk carioca foi trocado pelo pop, a hospedaria de característica hospitaleira e familiar do Brasil foi trocado pelas grandes redes de hotel.
Mas tudo isso, é claro, em nome do desenvolvimento e em nome do progresso. Mas o progresso e desenvolvimento de quem? Para quem? Para o multinacional que quer aumentar mais ainda sua renda? Ou para o politico que quer aumentar a sua aposentadoria? Pois se analisar as maneiras do pobre ganhar dinheiro estão sendo trocadas, alias ele nem pode ficar perto dos turistas.

Pois o Brasil é o país das pessoas ricas, fundadas em conceitos e cultura dos Estados Unidos, França, Itália, Inglaterra, Espanha, Portugal e de tantas outras sociedades. Na realidade o que os administradores querem passar de imagem do Brasil é que não temos identidade, mas sim, somos padronizados, e o turismo também pode servir a essa visão mercadológica.

Para quem não conhece o Projeto do Porto Maravilha: