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A marcha capitalista contra a cultura tradicional

Chapeu de Congada Foto: IX Festival da Cultura Tradicional Paulista-
Revelando São Paulo: Edição Entre Serras e Águas; Atibaia, 2016.
A história sempre foi um suporte rígido para entender o mundo no qual nos situamos atualmente. As manifestações culturais são, ou deveriam ser heranças de nossos antepassados, traços arraigados em nossa cultura e, em especial, ao nosso lugar natal.
Entretanto, qual seria o limite para o tradicional de uma região? Com a explosão da internet e a tão famosa Globalização as fronteiras se romperam, o cultural tradicional sofreu interferências, tornou-se universal, passível de ser visto e consumido pelos mais distintos povos de todos os cantos do mundo.
E isso influencia diretamente no que encontramos nos destinos. Basicamente, na atualidade é relativamente fácil ir à Bahia e encontrar o mesmo artesanato, com as mesmas características do que é feito no Rio Grande do Sul, isto é quando o mesmo não foi feito em um terceiro estado e incorporado nos demais como se pertencessem aos mesmos.
Observamos isso nas cidades litorâneas, pois vemos sempre as mesmas peças feitas de conchas, cola quente, tinta e papelão nas banquinhas de artesanato e, o que só difere é o letreiro dizendo “Estive em São Sebastião, Estive em Ubatuba ou Estive em Maresias e lembrei de você”. Claro que muitas vezes, e já vivenciei isto, de estar em Ilha Bela e ver um produto escrito “Estive em Cambuí e lembrei de você”.
O artesanato em suma, é o um dos fatores, contudo há outros que também possuem grande relevância quando tratamos da aculturação das coisas. As manifestações culturais são as mais afetadas pela marcha capitalista de consumo em massa.
Isso pode ser observado pelo carnaval, que não deixa de ser uma manifestação cultural popular, mas que ao longo dos anos foi sendo incorporado nas inúmeras cidades ao longo do território nacional. Um exemplo disto é ver o Axé no Sudeste, ou o Samba no Nordeste, e até o Frevo no Sul.
IX Festival da Cultura Tradicional Paulista- 
Revelando São Paulo: Edição Entre Serras e Águas; Atibaia, 2016.
Na conjuntura atual, a autenticidade das coisas está em um intenso embate entre o que traz mais turistas e dinheiro e o que visa resgatar, perpetuar e disseminar o patrimônio cultural tradicional.
Deste modo, o tão mencionado turismo consciente, não passa de um clichê utilizado pela minoria dos viajantes. Isto, considerando que deveria ser a maioria dos viajantes que possuem a preocupação com a comunidade local.
Os fatores podem ser invertidos também, vamos a outras cidades e prestigiamos coisas que não são tradicionais daquele local, não passam de encenação para turistas, mas isso pode ocorrer na nossa cidade, quando pessoas fazem o mesmo deslocamento para ver algo que não é real.

Mas, até quando iremos pensar no capital e recriar, criar e incorporar padrões, traços e culturas que não nos pertencem? Muitos afirmam que o Brasil não possui cultura, não possui identidade, porém será que procuramos o verdadeiro sentido de cultura nos ambientes corretos?


Matéria Publicada na Revista Bragantina On Line

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