quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Resistências: O Passado versus O Presente

 Certo dia de sábado decidi sair logo pela manha, lá pelas 9h, e dar uma andada pelo centro de Joanópolis. Senti-me encantado ao ver os turistas chegando com um olhar de deslumbre, apontado para Igreja Matriz de São João Batista e depois tirando a tão desejada fotografia que provavelmente irá servir de recordação daquela experiência.
Acho interessante a percepção de alguns turistas, pois eles conseguem ver beleza naquilo que consideramos cotidiano e obsoleto. Os turistas conseguem dar vida nova a alguns lugares, ou, podem simplesmente faze-lo regredir.
Continuei minha caminhada e desci até o Coreto da Praça, ao olhar ao redor pude vivenciar o cotidiano das manhãs de sábado em Joanópolis: os idosos a conversar, crianças correndo de um lado para outro da praça, pessoas lendo jornais, moradores passeando, barraquinhas singelas de artesanato, movimento nas ruas e padarias e os turistas desfrutando do ambiente.
Tudo tão natural para uma manhã de sábado em uma cidade do interior paulista encostada na Serra da Mantiqueira. Porém, havia alguma coisa de diferente, alguma coisa que não estava nos hábitos dos que frequentavam a praça naquele momento, era algo mais paisagístico, algo que faltava no centro da cidadezinha.
Geralmente, quando vamos ao centro de cidades menores, com poucos habitantes e de caráter histórico, olhamos para as fachadas das lojas, casas, padarias e farmácias e voltamos ao passado, vivemos aquele espaço como se ele tivesse parado no tempo e todo o conjunto arquitetônico nos traz a ideia de raiz, ou seja, a ideia de identidade com o local, pois percebemos que ali originou outras coisas e que aquele espaço não surgiu da noite para o dia, mas que possuí tem anos e anos de histórias.
Entretanto, essas características não pude observar no centro de Joanópolis, desde o calçamento das ruas a arquitetura das casas. As antigas e largas ruas de paralelepípedo do centro foram remodeladas, ficando estreitas e ganhando ares de centros comerciais metropolitanos. As casas do passado estão dando espaço para os comércios que não param de crescer.
Já as poucas casas que resistem estão entregues ao acaso, perdidas no tempo e desconectadas da sua função histórica. A marcha para o futuro está se tornando tão esmagador que até os monumentos resistentes, quando não se entregam aos intuitos comerciais, caem na deterioração temporal.
A modernidade tornou-se algo imediato, necessário, plausível de ser obtida. Mas, o passado por sua vez, tornou-se algo do atraso, obsoleto, e que necessita urgentemente ser destruído e modificado.
Ao andar pelas ruas do “centro histórico” de Joanópolis florescem em minha mente vários questionamentos e pensamentos, mas em especial, será que conseguiríamos crescer sem um passado? Será que esse passado não é digno de ser preservado? Ou, do que seria do homem sem História?