quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Invasão Cultural

Imagem Retirada da Internet- Global Culture
A sociedade atual é marcada pelo desenvolvimento tecnológico assimétrico, dado pelas inúmeras invenções e os aprimoramentos do âmbito técnico/cientifico, que por sua vez obriga a população a se adequar aos novos padrões de vida e de conhecimento.
Neste percurso de transformações vividas pela população alguns hábitos são obrigados a se transformar ou simplesmente deixar de existir. Um exemplo desses hábitos, ou melhor, desses costumes e valores que são atingidos, são os traços culturais de um determinado grupo de pessoas.
O desenvolvimento oprime os traços culturais tradicionais com o pretexto de levar o desenvolvimento, reinventar e aperfeiçoar os modos de vida. De certa forma é visível que essa opressão e degradação não são diagnosticadas no primeiro instante, mas ela pode ser aferida ao longo de muitos anos.
O fato é que o progresso gera novas formas de emprego, ditando novos produtos, propõem padrões sociais em todos os âmbitos e, em especial, utiliza os meios de comunicação como forma de vender anseios e formar ideias.
Assim, é neste contexto que se insere o assunto principal, a Degradação Cultural. A cultura, em síntese, é parcialmente pertencente a um determinado grupo, seja uma cidade, um estado ou um país, tal grupo possui os mecanismos para disseminar e transmitir os seus traços culturais para as futuras gerações.
Mas tal síntese só poderia funcionar integralmente se não houvesse um processo de evolução chamado “progresso”. Como mencionado anteriormente, um dos mecanismos que o progresso aprimorou foi a comunicação, e assim ela tem como principal intuito de vender anseios e formar ideias.
Os traços culturais que, posteriormente, encontravam-se consolidados, dado pela baixa interação com os outros povos ou também pela não existência de tantos habitantes no mundo, agora se encontram fragilizados e dependentes de algumas pessoas ou organizações que perpetuem, preservem e transmitam os seus traços culturais.
É claro que qualquer coisa pode ser utilizada para o bem, como pode ser utilizado para o mal. No caso da mídia atrelada ao turismo, ela tem como função divulgar novos lugares, novas culturas, hábitos e modos de vida. Não obstante, ela pode vender e conceituar uma ideia nas cabeças menos instruídas, que o produto ou costume mostrado é o certo ou é o melhor caminho.
Imagem retirada da Internet- Livro A Invasão Cultural
Norte-Americana
Um exemplo clássico desse efeito de culturas em detrimento é o caso da invasão da cultura norte americana no Brasil. A invasão cultural é dada pela forte divulgação midiática, bem como a indústria do cinema e pelo fato da maioria dos produtos serem provenientes da grande potência.
Certamente, torna-se importante ressaltar que essas mesmas pessoas não possuem a base cultural que seus pais ou avós tiveram. A nova geração é a principal vitima da influencia de outras culturas na sua vida, visto a não continuidade do processo de transmissão cultural dos avos aos netos ou dos pais aos filhos.
Sem esse embasamento cultural, as novas gerações encontram-se desnorteadas. Assim, visualizando novas culturas elas acabam criando a sua própria. Dessa forma, cria-se uma sociedade fragilizada, sem identidade cultural e que. Possivelmente. o conhecimento sobre as antigas manifestações culturais serão privilégios de alguns poucos curiosos, pesquisadores ou membros de antigas famílias tradicionais.
É nesse contexto que se insere a importância do turismo planejado. Quando realizado de forma pensada no bem estar da população e do visitante, o turismo pode ser uma vertente de comunicação capaz de transmitir, perpetuar e preservar os traços culturais.
Mas para que isso ocorra é necessária a realização de algo que foi mencionado anteriormente: que o grupo receptor e o grupo visitante tenham em mente as suas raízes, ou seja, a sua essência, o seu modo de viver .
Se ambas as partes tiverem em mente que àquele contato com outra cultura tem como intuito o conhecimento, possivelmente os danos com degradação cultural serão inferiores ou quase inexistentes.
Muitos estudiosos do campo do turismo acreditam que a cultura não se faz, ela se resgata e se preserva. Não existe impor uma manifestação cultural a uma cidade, sendo que não é de origem dela, ou seja, é o simples fato de realizar uma festa ou comemoração das inúmeras revoltas do período regencial em um município que não foi palco das mesmas.
Por conta disso é que a própria população aceita tudo o que é proposto, pois ela não possui o conhecimento da sua verdadeira origem ou, caso possua, não existe a sua manifestação no cotidiano.
Basicamente, ela não sabe de onde veio. Assim, chega-se a uma máxima da história “para entender o presente é necessário compreender o passado para seguir ao futuro”.

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MATÉRIA PUBLICADA NA EDIÇÃO DE NOVEMBRO DA REVISTA ELETRONICA BRAGANTINA ON LINE.
 Fonte: http://pt.scribd.com/doc/247147108/Revista-Eletronica-Bragantina-On-Line-Novembro-2014